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Manaus decreta situação de emergência por conta da cheia
Notícias - Amazonas
Sáb, 28 de Abril de 2012 16:00

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Área da Manaus Moderna invadida pelas águas durante cheia histórica. Foto: Bruno Lopes/Portal Amazônia/Arquivo

A capital amazonense está em situação de emergência por conta da cheia do rio Negro. Na última quarta-feira (25), o nível do rio mediu 28,96m, ou seja, dois centímetros acima da cota de segurança prevista pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que é de 28,94m. Hoje, falta menos de 80 centímetros para o rio Negro atingir a cheia histórica de 2009, a maior da história do Estado.

O decreto de situação de emergência foi anunciado pelo prefeito de Manaus por volta de 17h15. O documento estará publicado do Diário Oficial do Município (DOM) e autoriza a Subsecretaria Municipal de Defesa Civil (Subdec) a desencadear o Plano Emergencial de Resposta aos Desastres.

No Centro da capital, várias ruas já foram atingidas. Nos locais afetados pelas águas – e que podem sofrer ainda mais com a elevação do rio até junho – já é aguardada a ajuda do poder público na construção de pontes de madeira. Pelos cálculos da Defesa Civil Municipal, cerca de 3,6 mil famílias sofrerão  com a subida do nível da água do rio Negro que, nesta quarta-feira, atingiu a cota de 28,96m.

Os bairros que poderão ter maior espaço invadido pela água são Glória (720 residências na iminência de serem alagadas), Presidente Vargas (595 residências) e São Raimundo (495 residências). Ainda somam-se casas em áreas do São Geraldo, São Jorge, Educandos, Aparecida, Betânia, Raiz, Morro da Liberdade e algumas ruas do Centro.  O total estimado de casas alagadas seria de 3.468.

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No Centro de Manaus, o cenário já é parecido com o registro de 2009. Foto: Semcom/Divulgação

Nas ruas do centro histórico de Manaus, a Defesa Civil afirmou que deverão ser instaladas bombas para retirar a água que fica parada nas ruas mais baixas. Em toda a cidade, a Defesa Civil calcula que serão necessários 16,8 mil metros de passarelas e pontes de madeira.

Nos bairros de São Raimundo, Manaus Moderna e Centro da cidade, moradores e comerciantes começam a montar as “marombas”, que são sobrepisos para elevar o nível dos imóveis. De acordo com o subcomandante da Defesa Civil, Ary Renato, um estudo feito pelo órgão mostrou que esse tipo de construção apresenta risco à vida das pessoas, já que a maioria das casas não tem condições de receber um piso extra, podendo desabar por causa do peso.

Segundo o gerente de recursos hídricos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Daniel Oliveira, o rio tem subido cerca de seis centímetros por dia. A elevação está acima da média diária, que é de cinco centímetros.

Plano de desastres

O Plano Emergencial de Resposta aos Desastres prevê ações como construção de pontes de madeira, ações básicas de saúde, como a distribuição de medicamentos e cartilhas, e a concessão do “Cartão Enchente” no valor estimado de R$ 400 para as pessoas cadastradas e comprovadamente prejudicadas pela enchente. A coordenação geral do plano informou que não serão distribuídas madeiras para a construção de “marombas”.

Além dessas ações, com o decreto de emergência, a Prefeitura de Manaus ganha poderes para entrar em casas para prestação de socorro, mesmo sem o consentimento do proprietário. O poder público também passa a ter autoridade para interditar propriedades que possam provocar danos a pessoas, bem como poderá desapropriar, pelo motivo de utilidade pública, propriedades particulares comprovadamente situadas em áreas de risco.

Estado

A Defesa Civil do Estado informou que ainda não foi solicitada para atuar no atendimento à capital. O secretário adjunto da autarquia, Hermógenes Rabelo, assinalou aguardar a secretaria municipal para iniciar as ações necessárias. “A equipe técnica prepara uma avaliação de danos e das necessidades da cidade. Nossa função é garantir, primeiramente, a segurança alimentar. O primeiro ato é a ajuda humanitária – com os kits de alimentação, kit saúde e dormitório. Além disso, o governo do Estado disponibiliza aos afetados pela cheia o cartão Amazonas Solidário, cujo valor é de R$ 400”, explicou Rabelo.

Quando há necessidade de mais as ações, estas acontecem em conjunto com outros órgãos, secretarias e autarquias, entre elas: Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, as Forças Armadas, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), de Infraestrutura (Seinfra) e de Educação (Seduc). A função da Defesa Civil é coordenar as atividades.

Portal Amazônia

 

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